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No dia marcado para a visita ao entorno do Distrito Federal, eu me permiti a dormir até mais tarde. O que quase rendeu minha – tão sonhada – demissão nos dias que se seguiram. Na segunda pela manhã, depois de me explicar para Kate no andar de baixo, cheguei até minha sala e tinha gente nova no pedaço. Ronaldo estava conversando com uma garota que, mais tarde, descobrir ser jornalista, correspondente internacional de uma TV estrangeira e estava na Who para um freela.
- Oi, prazer. Sou Barbarela, vou ficar esse próximo mês todo com vocês. Qual seu nome?, ela disse.
Depois de me apresentar, veio as afinidades. Ela já morou na Europa, então tivemos bons assuntos. O trabalho dela, basicamente, era ‘vender’ releases para a grande imprensa, tentando colocar um dos nossos emergentes assessorados na mídia. Se me permitem uma conclusão, esse trabalho acabou se tornando difícil e, muitas vezes, chato para Barbarela.
Meninas, ela e Carla se deram muito bem. Falavam o dia inteiro sobre roupas, meninos e outras coisas. Mas Barbarela estava longe de ser uma pessoa fútil, muito pelo contrário, extremamente competente.
Ser competente na agência Who é sinônimo de demissão. Uma semana depois, Kate já a tinha mandado embora. Roxana me disse do barraco e, novamente, me surpreendi com as atitudes, infundadas, de Kate. O pouco de empatia que eu sentia pelo jeito forte dela conduzir a vida, os negócios e as pessoas (!), foi por terra no mesmo minuto.
- Ela acabou com Barbarela, você precisava ver, disse Roxana.
Roxana tinha se tornado minha amiga, mas, infelizmente, perdemos contato. E tai outra coisa que lamento muito da minha pequena estadia na Who. Tirando Carla, desse primeiro grupo, não tenho contato com mais ninguém que valesse a pena.
Mais uma semana se passou e completei meu 28° dia nas dependências da Who. Nessa altura, o mau humor e a presença insuportável de Ronaldo me incomodavam bastante. Os choros de Roxana com as humilhações vindas de Kate também. Até que aconteceu o que eu julguei ser o limite psicológico e emocional de uma pessoa.
- Elton, estou na L2 sul e preciso das pastas pretas do clipping e dos documentos do restaurente Le frontier. Estarei embaixo do prédio daqui cinco minutos, desça com o material, porque não vou estacionar. E, não vou, sequer, desligar o carro. É isso.
O nextel desligou na mesma rapidez que tocou na primeira vez. Me desesperei. Ronaldo do meu lado e, ainda que ele fosse um inútil, resolvi pedir sua ajuda.
- Não, nãaaao, nãaaao tenho idéia de onde pode estar. Até porque, se ela quisesse que eu descesse com as pastas, ela teria ligado pra mim, concorda? Possivelmente esteja nesse armário – , ele falou apontando com aquele jeito medíocre dele.
Procurei algumas pastas – todas elas eram pretas!!!!!!! – e fiquei mais desesperado ao ouvir o nextel gritando na minha mesa. Peguei as primeiras pastas que pude, dei uma olhada e, possivelmente, eram mesmo as que Kate, a insuportável, precisava.
Peguei o nextel na minha mesa, abri as duas malditas portas (por quê duas, meu Deus???) e fui até o elevador. A tiazinha da galeria de arte japonesa da loja ao lado me chamou.
- Elton, querido, tem uns trabalhos novos. Venha ver!
Na minha estupidez adquirida no mês como Who, ignorei. Fingi que não havia escutado.
- Droga, o elevador não chega! – xinguei.
Tentei as escadas e desci os três andares quase que voando. Quando passei correndo pelo porteiro, o porteiro sorriu aflito.
- A vadia está ali, aos berros no celular com Roxana, querendo saber onde está você.
Respirei fundo e me aproximei do carro, um Pajero, de Kate. Ela desligou o celular com Roxana sem pronunciar um “obrigado ou tchau”.
- Você foi buscar as pastas lá em Samambaia? Meu Deus, o que pode ser tão difícil? Não consigo entender o que é tão difícil, Elton!
- Kate, hum… , eu realmente não sabia onde estavam as pastas.
- Não importa! Você senta ao lado de Ronaldo, ele conhece esses armários tão bem quanto a mãe dele.
Nesse momento, ela abriu a primeira das 5 pastas que a entreguei.
- Mentira! Mentira! Só pode ser brincadeira, garoto!
Ela jogou uma das pastas pelo vidro do carro que, por pouco, não acertou meu pé. Aos berros em meio a rua movimentada de carros, ela gritava sem parar.
- Trate de aprender mais sobre a empresa em que trabalha. Eu quero o clipping e o relatório do Le Frontier e não estão aqui.
- Kate, hum.. realmente, de verdade, ahn.. foi um engano. Vou subir até lá e procurar novamente.
- Procurar? Eu já perdi vinte minutos aqui com você. Você é um inútil.
Ela fitava meus olhos, que estavam possessos de tanta raiva.
- Kate Camel, quer saber? Fique com suas pastas pretas, eu to fora! Eu desisto! Chega de você me humilhar assim!
- Elton, me escute, me escute, me escute.
- Então, pare de gritar!
- Eu só quero que você seja competente!
- Ser competente pra você não é qualidade. Pegar uma pasta preta correta não é competência. Estou indo embora -, eu disse.
Sabe-se lá porque, a chave do meu carro estava no meu bolso. E, sabe-se lá porque também, meu carro estava logo ali, ao lado do dela. Virei as costas para Kate, as pastas pretas que ela jogou continuaram no chão e a cara de infelicidade dela ainda me persegue nos meus sonhos que, é claro, sempre acordo rindo.
Entrei no carro, dei partida, abri os vidros, acendi um cigarro e acelerei tão forte que todo mundo olhou. Do retrovisor do carro, vi Kate Camel parada, exatamente como eu a havia deixado, sem saber o que fazer. Dez minutos no trânsito e meu celular toca.
- Você pirou de vez. Como faz uma coisa dessas?
Era Carla, absolutamente transtornada com o que eu acabara de fazer. Desliguei na cara dela.
Cheguei em casa, tomei um banho, fui para o quarto, apaguei a luz, desliguei o celular e dormi. Não sem antes dar o que Kate adorava tirar das pessoas: lágrimas.
Agora, depois da minha atitude maravilhosamente absurda, eu só teria mais dois dias na Who. Mas isso eu só descobri na manhã seguinte. E o melhor: por vontade própria.
Os dias 29° e 30° são emocionantes e, no melhor estilo Elton de ser, dramáticos!
Aguarde!
Tags: agência who, brasilia, kate camel, L2 sul, O diabo veste Prada, Um prêmio impossível

Abril 2, 2008 às 6:33 pm |
Caros leitores,
Escrevo para falar dos meus dois amigos de trabalho que são, juntos, a alegria de trabalhar neste lugar – a comunicação da Federação das Indústrias. Sem eles, confesso, seriam oito horas de trabalho árduo, sem nenhuma motivação plausível para estar aqui. Mas, os “blogistas” do Dedo de prosa e Dramas do Sucesso, respectivamente, Sr. Patrick e Sr. Elton, me possibilitam boas risadas cotidianas e a vivência real de uma novela global ou seria “recordial”. Eu diria neste caso: “Ganho pouco, mais me divirto”. Os meus amigos jornalistas disputam, dia a dia, dedo a dedo, drama a drama, todas as audiências possíveis às suas pessoas. A beleza, a magreza, a gordura, as baladas, os amigos, as opiniões, as roupas, os textos, a melhor cidade (Ceilândia e Lavras) e, enfim, o blog mais visitado, são motivos de uma guerra diária. E é aí que entra a minha alegria. Eles, que sentam, um a minha esquerda e outro a minha direita se digladiam, de forma civilizada, a todo momento. Neste instante, por exemplo, os dois contavam quantos acessos tiveram, mês a mês, em seus blogs, com direito a “uhhh” no final. Isso faz me lembrar minhas irmãs pequenas. Outro dia desses elogiei a Bia (13) porque estava mais magrinha e usava um belo vestido. No mesmo instante, a Carol (11), que é gordinha, destilou o seu “pequeno” veneno e contou, a quem estava presente, que aquela magreza toda era devido a uma cinta que ela usava na barriga. É mais ou mesmo isso que acontece por aqui. Para se ter uma idéia, eles mesmo se intitulam como “Globo” e “Record”, como aquele que tem o Q de Qualidade e aquele que sobe na audiência. (E eu, sou a espectadora mais fiel, com direito a cadeira de balanço, pipoca no colo e controle nas mãos.) Essas tiradas me rendem boas risadas e a sensação de estar em outro lugar, menos no trabalho. Entretanto, deixo aqui toda minha admiração e alegria em conviver com os dois. Eles, que mais parecem irmãos brigões, são, visivelmente, grandes amigos, mesmo que vivam assim entre tapas e beijos, ops, entre dramas e dedos.
Bem, está dada a largada!
E que vença o melhor.
Abril 3, 2008 às 6:35 pm |
i want to know this post!!