Um comentário à Folha de S. Paulo

By Elton Pacheco

Leia abaixo a minha resposta à coluna de hoje, do filósofo Hélio Schwartsman, da Folha de S. Paulo sobre o caso Isabella. Para ler a coluna de Schwartsman, clique aqui.

Olá Hélio,

Elton Pacheco

Tenho acompanhado sua coluna na Folha e, dessa vez, resolvi escrever.

Não concordo quando você diz que “não importa quem é o assassino”. Sim, importa. Importa porque essa sede de informação contra crimes cruéis é quase que uma resposta a algo de errado que está em nossa sociedade. O povo quer saber, porque quer reagir. E você sabe que isso não é de hoje. Se for mesmo confirmado o envolvimento de Nardoni e Jatobá na morte de Isabella, isso só vai ser mais um indício de que esse ‘erro de nossa sociedade’ caminha – e propaga-se – a passos largos. Costumo ouvir das pessoas que violência no Brasil é só urbana. Vivi um tempo no exterior e sei que, lá fora, em detrimento dessa violência urbana que existe aqui, há crimes bárbaros, como você deve saber. Parece que agora tenho que discordar desses comentários. Aqui é médico que esquarteja mulher (e está solto!), garotos que espancam empregadas, filhos ricos de Brasília (minha geração) que matam índios queimados, garis que seqüestram meninas…. e quantos outros temos por aí? Também prefiro a cautela antes de acusar o casal, mas parece mesmo que teremos mais um desses crimes “sociais” em nosso hall de barbaridade. “Por que o assassinato de crianças nos toca mais do que homicídios
envolvendo adultos?”. Porque são as crianças nossa esperança de que o Brasil não seja, num futuro breve, conhecido como uma terra de aborígenes e de crimes nojentos.

Parabéns pelo texto.

Abraço,

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