Cultura de massa: uma constatação musical

By Elton Pacheco

Esses dias eu fiquei impressionado (é, eu aindo consigo ficar…) com o papo de duas pessoas. Sou curioso pra caramba e, é claro, não perdi a chance de prestar atenção. Um dos caras, todo orgulhoso da idade dele – aliás, muito bem vivida – disse que o mundo está mudando, que as pessoas estão mudando e que, antigamente, um cantor, como Renato Russo, teve que “ralar” muito para virar o que virou, ou seja, para fazer sucesso. E que, atualmente, qualquer cantor é só falar o créeeeeeeeeeeeeeeu” (leia isso quatro vezes, para velocidade quatro, é claro) em qualquer microfone, que tá famoso, vende milhões e fica rico. Achei legal, até porque era a constatação do “eu falando do eu” (entendem?) e, no fim das contas, uma verdade. Mas o melhor estava por vir.

O companheiro dele, que volta e meia dizia “pobrema”, confirmou o que o amigo havia dito, mas foi além.

“Pois é, o pobrema (sic) é que hoje qualquer um faz sucesso. Cantores bons eram mesmo o Claudinho e Buchecha, Fábio Júnior, Furacão 2000, Bonde do Tigrão. Esses sim falavam com o povo, com letras boas, hoje em dia deu nisso aí, créu, créu e créu”.

Quando achei que o papo estava caminhando para um bom desfecho, escuto uma dessas. Sério, deu ânsia de vômito. Eu respeito gostos musicais, mas daí tomar gostos próprios como exemplo de música boa para o mundo é outro papo. Eu sou uma boa pessoa, mas eu tenho direito de achar o que é ridiculo.

E isso me fez lembrar as maravilhosas aulas do curso de comunicação, onde os professores, super instruídos, falavam da arte na época da reprodutibilidade técnica, da falta de aurea nas obras de arte, da indústria cultural, de Adorno, de Horkheimer, com papos realmente muito bons. Mas não dá pra comparar, seria injusto.

Intolerância? Saco cheio de ouvir merda? Irritação? Eu também tenho defeitos… até porque é só uma constatação musical, talvez cultural…

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2 Respostas para “Cultura de massa: uma constatação musical”

  1. Paula Pereira Disse:

    Oi Hélio

    Agora fiquei pensando… “será que gosto musical é algo que se ensina, ou se impõe?”. Meu pai, de bons 74 anos, fala com muita saudade da época que ouvia Emilinha Borba nas rádios… andando por aí, em bares, no serviço… e hoje, ele aprecia muito mais os cantores que tentam resgatar as boas letras e melodias.
    Será que essa massa toda gosta mesmo é de música sem letra? sem conteúdo? É bom se divertir com bobagens, mas essas bobagens nunca vão ser referência da boa música do meu tempo. Eca!

    Abraços,
    Paula

  2. Paula Pereira Disse:

    Minha FALHA 01: Desculpe-me por ter lhe chamado pelo nome errado, Elton!

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