Da série: fotografias de um viajante

By Elton Pacheco

Eu poderia me definir como um andarilho viajante. Ou, como prefere o jornalista Roberto Cordeiro, autor do blog Diário de Bordo, um correspondente-estagiário. Não importa. Ambas definições são válidas e, no final das contas, as lições que eu tiro de cada novo lugar que eu conheço são o que vale a pena. Desde quando comecei a me aventurar pelas cidades brasileiras e algumas outras pelo mundo, já me meti em muitas furadas, algumas delas, inclusive, devidamente registradas. Sex shops, cabines de filmes pornôs, publicidade gay, comidas nojentas, manifestações políticas em praças públicas, frases com duplo sentido, problemas com o idioma regional… e um tanto de coisas mais. Quer conhecer algumas dessas histórias?

Amsterdam é, sem dúvida, a campeã de esquisitices e também da sacanagem. Na manhã do dia 2 de Dezembro de 2006, perdido entre as pequenas ruas da cidade holandesa, me deparei com um museu do sexo. Informações em inglês, entrada por 12 euros e bem ao lado de um Mcdonalds. “Tudo perfeito”, pensei. Terminei o lanche e fui visitar o museu. Quem se aventurar a conhecê-lo, não pode deixar de tirar fotos com pênis enormes e vaginas gigantes (foto).

Basta um passeio pelo Red Light District, o famoso bairro da luz vermelha da cidade, para descobrir que, se é sexo que você procura, as opções são enormes. Do lado esquerdo ao direito, as janelas, iluminadas com luzes vermelhas (daí o nome do bairro) comportam, em geral, belas garotas e cabines para sexo instantâneo (no melhor estilo americano fast food). Por curiosidade, uma horinha com uma loira nórdica monumental não sai por menos de 200 euros – e nem adianta alegar que você é brasileiro e well-hung (se for o caso). Em uma cidade que respira sexo e drogas, o governo não pode vacilar quando o assunto é saúde pública. Há campanhas de prevenção do vírus HIV por toda a parte (foto).

Na Alemanha, nada de putaria, embora eu ainda tenha visto bairros com bastante outdoors sobre sexo em algumas cidades. Em Hannover, no norte, viado gigante com um cara em cima era a grande atração daquele natal de 2006 (foto). Em um supermercado em Elsfleth, na fronteira com a região de Ostfriesland, um susto. A revista Época, da editora Globo, reproduzida em alemão. Burro eu, né? A história é exatamente o inverso: parece que a Rede Globo comprou os direitos visuais da revista alemã Focus. É assim. Na vida, nada se cria, tudo se copia… aliás, frase de um alemão!

Na terra das batatas e carne de porco, outra coisa curiosa. Lá onde eu passei um tempo como estudante-intercambista-correspondente-estagiário (sono..), em Thedinghausen, bem no norte, mas bem no norte mesmo, me senti como se estivesse em uma pegadinha do Faustão ou no melhor estilo do programa Topa Tudo por Dinheiro. Pois é. Na hora do almoço, a minha mãe alemã pediu que eu fosse até a esquina comprar algumas batatas. Chegando lá, fiquei esperando o vendedor, que não apareceu e não iria aparecer nunca. Na Alemanha, geralmente nas Dorff (os pequenos vilarejos), vende-se batata – e outras coisas também - na base da confiança. Você se dirige até a lojinha (veja foto), uma Kartoffeln, retira seu saco de batatas e deposita na caixinha o valor correspondente. Eu não sabia ler em alemão, então já deu pra entender o vexame. A sorte foi que uma senhora que fala inglês passou por lá e me ajudou, com a imensa compaixão de quem vê um garotinho latino-americano morrendo de frio (à época, fazia uns -7° na cidade) e acabou me ajudando.

Na Itália, o retorno à putaria nos outdoors da cidade. Cristina Bela, a famosa atriz pornô húngara, conhecidíssima na Europa, estampa as publicidades do gênero. Dessa vez, ela estaria na cidade com outras duas amigas, em um show imperdível para os fãs e admiradores de sua carreira (foto). Andando mais um pouquinho, as placas dos veículos italianos me chamaram atenção. Em uma moto, vi uma verdadeira identidade, difícil de cruzar a fronteira assim, né?. Já na Grécia, na terra dos grandes Deuses, muita bagunça, sujeira e cara de Brasil, sil, sil. Pela primeira vez em todos aqueles meses no velho continente, eu vi açougues de rua, daqueles que a gente encontra em qualquer esquina no Brasil (menos aqui em Brasília). Vi também cachorros gigantes tirando uma soneca às beiras da Acrópole, vi gente bêbada nas ruas e comidas muito aceboladas.

De volta à América e mais recente em viagem à Buenos Aires, muitas coisas devidamente fotografadas. Logo na chegada, esperava ver algo “As Malvinas são nossas”, uma referência ao território inglês, contestado pela Argentina por muito tempo. Mas não vi nada disso. Além de certas comidas nojentas, vi muito brasileiro. Se quer fugir dos brasileiros metidos só porque viajam ao exterior, a Argentina é prato cheio. Um bando de pobre querendo ser rico na terra de Evita Perón. Tá bom, o dinheiro está valendo um pouquinho mais, mas nem por isso… blábláblá. Publicidade gay e muita, muita, muita manifestação política, seja na Praça de Mayo, na Av. Santa Fé ou na 9 de Julio. Até a Hebe Camargo imortal eu encontrei por lá, mas depois eu conto mais.

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2 Respostas para “Da série: fotografias de um viajante”

  1. Roberto Cordeiro Disse:

    Muito legal essas fotos!!!!!
    Valeu….

  2. Luiza Disse:

    uia, acabei de te linkar la! huauauha
    a fofoca corre aí hein!
    :P

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