Morre o estilista Yves Saint Laurent

By Elton Pacheco

Caramba! Não adianta o blábláblá, a morte é sempre uma coisa triste. Eu não gosto dessas pessoas que usam de um discurso religioso para tentar aliviar a dor dos outros. Pow, pra quê? Dor é dor. O negócio é dar cinco minutinhos pra ela, deixar ela fazer o estrago necessário. E pronto. Só não dê mais que isso, se não a coisa fica feia. Mas a morte passou distante de mim, graças a D’us. Ela atacou lá em Paris. Dessa vez a vítima foi no milionário mundo da Moda. O argelino Yves Saint Laurent, um dos grandes estilistas franceses do século XX, faleceu ontem a noite (1/6), na capital francesa, aos 71 anos.

Para quem não sabe, Pierre Bergé é o marido do estilista e o verdadeiro herói da biografia de Saint Laurent. Foi ele quem “segurou a onda” quando o argelino se envolvia em drogas e em depressões constantes, em meio ao sucesso. Juntos, formaram a Fundação Pierre-Bergé-Saint Laurent, para administração dos negócios, além de trabalhos sociais nas comunidades pobres da Argélia e da França.

Enquanto eu assistia o Fantástico, recebi a notícia com muito pesar. Primeiro porque o cara mandava bem em seus produtos. Segundo porque ele revolucionou o “modo de ver a moda” ao explorar a nudez, sobretudo a masculina (ver foto acima), em seus desfiles e peças publicitárias, além, é claro, do conhecido Le Smoking (o terninho especial para mulheres) apresentado pela primeira vez em 1966. E terceiro: ele chegou em Paris como mais um imigrante qualquer vindo da Argélia, uma ex-colônia francesa. Quem conhece um pouco da história da França, sabe que existe um imenso abismo social-político-cultural entre o francês e o “francês das colônias”. Ele foi um exemplo de sucesso. Venceu preconceitos (!) e foi respeitado em uma terra que ostenta uma imagem de preconceito em todo o mundo.

Saint Laurent chegou em Paris aos 17 anos e logo se tornou colaborador de outro peso pesado da alta-costura, Christian Dior (1954), e virou seu sucessor após a morte do mestre em 1957. Seu primeiro desfile aconteceu em 1958. Em 1961 criou sua própria maison em sociedade com Pierre Bergé, que viria a ser o seu companheiro até a morte.

Em 2002, se despediu das passarelas apresentando no Centro Georges Pompidou um desfile retrospectivo de seus 40 anos de criação.

Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

Deixe uma resposta