Nesses últimos dias tenho lido A questão judaica, obra do grandioso filósofo francês Jean Paul Sartre. Por vezes, tenho a sensação de estar diante de um livro comum, piegas e cheios de clichês, pelo texto repleto de apologias aos judeus. Mas é só ler com um pouco menos de ceticismo, que percebo a preciosidade que tenho em mãos. Sartre analisa a história do povo judeu por meio de uma declaração explícita, que é o livro, contra o anti-semitismo. Para ele, o judeu é um homem antes de ser judeu, ou seja, a condição judaica não pode ser sobreposta à condição humana.
O esclarecimento de Sartre nem me surpreende tanto. Afinal, o filósofo viveu na França dominada pelo exército nojento de Hitler. Além disso, passou uma temporada em Berlin, na Alemanha, onde conheceu a forma de vida daquele país, estudando os fenômenos mundiais e, onde também, publicou um de seus grandes textos, traduzido para o português como A Náusea.
Sartre errou. E vocês devem pensar: quem é esse rapaz para questionar Sartre? Simples. No livro, ele defende a tese de que a emancipação dos judeus do mundo só será possível numa sociedade sem classes. Quem viveu um pouco mais para ver a história se desenrolar pós-segunda guerra, sabe que o Estado de Israel está aí para contar história. Ele, o Estado, nasceu em meio ao apogeu das sociedades de classes. É claro que, em minha humilde interpretação do livro, posso ter entendido de forma limitada a declaração que titula este texto. Talvez a liberdade completa do povo judeu independa de um Estado soberano e de direito. Mas aí… aí já é assunto para um outro post. Quando eu terminar de ler o livro, eu conto.
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