Abba não é moda!

As gerações dos anos 80 e 90 dificilmente terão a chance de ver Benny Andersson, Björn Ulvaeus, Agnetha Fältskog e Anni-Frid Frida Lyngstad, os famosos integrantes do grupo sueco Abba,  juntos de novo, em mais um daqueles espetáculos coloridos e iluminados que, muito certamente, embalaram as noites dos meus e de seus pais, e levaram o mundo ao delírio. Mas ontem o improvável aconteceu. Quer dizer. Quase. Mesmo com uma pitada fake, a principal banda cover do Abba, a conhecida Waterloo, deu um show no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com direito a casa lotada e uma multidão de fãs (não os que seguem a onda pop) por ouvir e dançar os grandes sucessos da banda original, como Dancing Queen, Mamma MiaThe Winner Takes It All, entre vários outros.

E convenceram! As semelhanças entre os “falsificados” e originais são surpreendentes: figurino, iluminação, performance e voz. E se você ainda não se convenceu dessa tal originalidade, dois ex-Abba originais fazem parte da banda cover: o saxofonista Ulf Andersson e o baterista Roger Palm, aplaudidos de pé pelo público. Tudo muito parecido com os famosos shows que compõem o DVD The Greatest Hits (1993), que apresenta os grandes momentos da banda – e que eu tenho guardado a sete chaves em casa, como um troféu, mas que volta e meia me pego escutando no quarto, em qualquer ocasião.

Particularmente, viver essa experiência de perto foi quase como me transportar para a fria Suécia dos anos 70, país que tanto admiro por conta do meu fanatismo por Abba e que, em julho próximo, finalmente vou poder conhecer – e alguém aí dúvida que pelo menos um dia inteiro será reservado para visitar o museu em homenagem ao quarteto? Nenhuma dúvida.

Mas, voltando ao show. Os brasilienses, como sempre digo, são “quadrados”. Tudo bem que a plateia era formada por pessoas mais velhas – poucos faziam parte da minha faixa etária – e isso impediu uma maior interação do grupo com os fãs, o que significa dizer que, mesmo com casa lotada, poucos se atreveram a arregaçar as mangas e dançar. Ok. Era um show elitista em um teatro elitista em que muitos (também elitistas, rs…) desembolsaram cerca de R$ 500 para estar lá dentro. Mas, pra mim, nada justifica! Afinal, era o “ABBA” ali, pertinho da gente e a nossa obrigação era dançar e cantar.

Minha salvação nesse sentido é que o produtor do show – o mesmo que foi preso em Goiânia há duas semanas acusado de ludibriar a população afirmando se tratar do verdadeiro Abba – teve a brilhante ideia de levar um coral formado por crianças carentes de Ceilândia, cidade próxima à Brasília, para o palco. Meu ingresso, ali na lateral do palco, me fez sentar logo atrás dos 25  estudantes. E, de longe, o grupo de meninos e meninas com idades até 10 anos, era os mais animado do show. E aposto que todos eles nem sabiam quem era o Abba e muito menos a importância dos suecos para a história do rock and roll. Curtiram o momento, com “passinhos” para lá e pra cá, e gingas de dar inveja a qualquer “sessentão” por ali. Isso quando não estavam no palco cantando I have a dream e Chiquitita, numa performance impressionante. E eu, é claro, peguei o ritmo! Dancei com eles.

Em tempo
Se você está me achando um oldfashioned por, aos 23 anos, curtir uma banda como ABBA, vai aí uma informação importante: ainda hoje, na era dos Rebolations e afins, o grupo ainda vende 3 milhões de discos por ano. Tanto que os sucessos fizeram o álbum Viva La Vida Or Death And All His Friends, lançado recentemente pelo Coldplay (minha segunda banda predileta), cair para a segunda posição, com Rockferry, da cantora Duffy, em terceiro, nas paradas britânicas, segundo reportagem da Official UK Charts Company.

O musical Mamma Mia, em cartaz definitivo na Broadway (EUA), já foi visto por mais de 35 milhões de pessoas e o filme, homônimo, lançado em 2008, trouxe Meryl Streep e Pierce Brosnan nos papéis principais e foi sucesso nas bilheterias do mundo inteiro. Com tudo isso, é fato que ABBA ainda está na moda, mas não necessariamente “é” moda.

*Agradecimento especial a Bruna Marques, jornalista que assessorou o evento em Brasília.

Texto/Foto: Elton Pacheco

One thought on “Abba não é moda!

  1. A sua empolgação com as coisas que você gosta, faz com que estas coisas tenham um brilho magnífico. entenda os sessentões, nos, mesmos os quarentões já não possúímos os interruptores de tanto brilho, essas luzes se amenizam com a idade, até mesmo para as coisas que mais amamos. Veja bem, só muito amor os fariam entregar R$500,00 para assistir a um show. Isto é coisa de fã, mas levantar-se e dançar é coisa de jovem!! amo você. Sempre.

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