Quando falei pra minha família que passaria quatro dias em um deserto de sal, no meio do território boliviano, sem nenhum contato com o mundo como nós o conhecemos, eles quase me trancaram no quarto. Mas eles nunca trancam, não é mesmo? No 12 dia da minha viagem pela América do Sul, desembarquei em Uyuni, um pequeno povoado no departamento de Potosí, que teria tudo para ser um lugar esquecido pela humanidade se não fosse por um detalhe: Uyuni é uma das principais cidades da região que dão acesso ao maior deserto de sal do mundo. Estima-se que ele contenha 10 milhões bilhões de toneladas – 25 mil toneladas extraídas a cada ano.
A viagem começa com a contratação de um carro, um guia (motorista, cozinheiro e seu salvador) e alguns colegas para dividir os custos, que, em média, sai por 700 bolivianos, por pessoa. Os argentinos que conhecemos na rodoviária toparam em dividir o carro e, então, lá fomos nós. Antes, esbarramos com um grupo de brasileiros que também se dirigia para o deserto. Fomos todos juntos em dois carros. A primeira parada foi o que eles chamam de Cemitério de Trens, um depósito abandonado com trens que operavam na região antigamente. De lá, passamos pelo hotel de sal, a Ilha do Pescado, onde se pode ver cactos gigantes e uma vista paradisíaca do deserto.
O almoço é feito e servido pelo motorista do seu carro (eu disse, eles se tornam seus amigos depois de quatro dias). Se você é vegetariano, sua comida é separada da dos demais. As agências bolivianas são super preparadas para os veggies. Depois do almoço, seguimos viagem. Clima muito bom. Ipod com playlist on (muito Eddie Vedder) e uma vista paradisíaca do lado de fora da janela simplesmente encantadora. Paramos para fazer algumas fotos e chegamos na primeira pousada, literalmente no meio do nada. Nessa, pelo menos, tinha água quente, mas resolvi não tomar banho. Além do nosso, do carro dos brasileiros, outro grupo com jovens franceses se juntou aos nossos e dormimos todos na mesma pousada. A noite, uma festa só. Muita comida e, claro, bebida. Franceses, argentinos e brasileiros juntos não poderiam resultar em outra coisa.
Manhã do 13 dia de viagem, e segundo no deserto começou cedo, às 5am, para ver os gêiseres e tomar banho nas águas quentes. No terceiro dia, conheci o deserto do Atacama e vi cenários que parecem ter sido pintados por D’us. Almoçamos ali, na beira de um lago paradisíaco, enquanto um rapaz praticava Ioga. A energia que se sente ali não é brincadeira. É divina. Seguimos de volta para a cidade de Uyuni, no quarto dia. Uma viagem longe, mas muito gratificante. Coisas que os olhos nunca vão esquecer.
Nesse dia, dormimos em mais uma pousada. Enquanto faziam o jantar, as 5pm fui para o lado de fora conversar com os argentinos que conheci dias antes. Papo bom sobre a vida e numa vista paradisíaca. Pude conhecer mais dos brasileiros, que, inclusive, depois acabei virando amigo e os encontrando em São Paulo no ano seguinte para uma cerveja. (Paula, babu, você foi o melhor presente do Uyuni, porque você é guerreira!), Bebemos, comemos bem, ficamos bêbados, vimos o por do sol mais lindo do mundo. Enfim, coisas que acontecem quando seus pais não o prendem dentro do quarto. E, além do mais, ver o mundo com esses olhos não é para qualquer um.


