Medo. Acho que é isso que estou sentindo ao me deparar mais uma vez com uma grande decisão a ser tomada. Meu visto canadense vence em abril e eu ainda não decidi exatamente o que fazer da minha vida. Se fico, preciso arregaçar as mangas e ir atrás da papelada, que não é nada assim tão simples. E preciso fazer isso já. Mas se, ao contrário, eu optar por retornar ao Brasil, a teia de aranha parece ser ainda mais complicada. O primeiro grande nó é aceitar a ideia de morar novamente com minha mãe que, por mais que eu sinta saudades, vai ser sempre minha mãe, com suas cobranças e todo o pacote que vem junto com isso. Além, é claro, de pensar em procurar emprego, apartamento (ou vocês acham mesmo que eu vou morar pra sempre com ela?), carro e essas coisas da vida em Brasília que eu bem conheço. 

Começar do zero de novo me assusta. Quero dizer, foi tão dificil adaptação em Toronto há quase um ano, a conquista de um emprego legal, encontrar os amigos certos e agora que está tudo nos eixos eu tenho que deixar o país? Eu já tenho meu apartamento. Ok, meu quarto confortável com uma vista linda do west da cidade, meus horários e minha bagunça, que não é pouca. Nem a pós-graduação que eu comecei eu terminei ainda, por causa da minha inconstância e insatisfação crônica. Não por isso, nem de longe por isso, mas sinto que tenho criado raízes aqui, principalmente depois da minha ida a Brasília em novembro do ano passado. Foi tão bom sentir-me no seio da minha família, em casa, protegido, que até me deu uma balançada.

“Que eu tenho feito longe de tanta gente que me ama e quer meu bem? Sou eu estúpido?”, me perguntei. Mas acho que não. Só sou um cara de 24 anos tentando encontrar seu caminho longe de casa. E mesmo que eu decida ficar, tudo isso que eu tenho vivido aqui já é um grande motivo para eu olhar pra trás, no fim de tudo, e dizer “eu consegui”. O medo, nem sempre, é uma coisa ruim. Em algumas pessoas, ele serve como um empurrãozinho. É o meu caso.