Dias 16, 17 e 18 – Sucre, roubo e a volta ao Brasil

Na manhã do dia 15, peguei um ônibus até Potosí. Ao desembarcar na cidade, tive minha mochila roubada, com dinheiro, câmera digital, algumas roupas e um diário de viagem. Depois de resolver tudo, eu, Mariana, um dos amigos brasileiros que conhecemos no deserto de sal, e um desconhecido (e estranho!) dividimos um táxi até Sucre. Pra mim, essa é a cidade mais linda da Bolívia. Extremamente colonial, ela é ainda hoje considerada por muitos como a verdadeira capital boliviana. Uma ótima opção para quem gosta de um roteiro bem histórico-cultural. Em Sucre há vários museus, igrejas e praças, alguns, marcos da história do país. Continue lendo

Dias 12, 13, 14 e 15 – Um deserto de sal?

Sou o terceiro da direita pra esquerda, de blusa branca.

Quando falei pra minha família que passaria quatro dias em um deserto de sal, no meio do território boliviano, sem nenhum contato com o mundo como nós o conhecemos, eles quase me trancaram no quarto. Mas eles nunca trancam, não é mesmo? No 12 dia da minha viagem pela América do Sul, desembarquei em Uyuni, um pequeno povoado no departamento de Potosí, que teria tudo para ser um lugar esquecido pela humanidade se não fosse por um detalhe: Uyuni é uma das principais cidades da região que dão acesso ao maior deserto de sal do mundo. Estima-se que ele contenha 10 milhões bilhões de toneladas – 25 mil toneladas extraídas a cada ano. Continue lendo

Dias 10 e 11– Em La Paz com cheirinho de peixe

 

Em La Paz, com o Chacaltaya ao fundo

Parece que os moradores de Copacabana decidiram seguir para La Paz de última hora e levar com eles todos os peixes da Ilha do Sol. Por isso, o ônibus fedia… e muito. Eles eram alocados onde dava: peixe no chão do ônibus, no bagageiro, nas mãos e no colo das pessoas. Cena inacreditável. O resultado? Um dia inteiro de viagem em uma espécie de aquário humano sem água, literalmente. Antes de chegarmos ao nosso destino, percebemos que aquele não era um dia comum. Esquecemos que 31 de dezembro é 31 de dezembro em qualquer lugar do mundo e não seria diferente na Bolívia. Quem estava de um lado da cidade queria estar do outro – e vice e versa. Isso causou um trânsito imenso, o que atrasou nossa viagem. Perdemos quase toda a véspera do reveillon no engarrafamento (e fedidos a peixe). Continue lendo

Dias 7, 8 e 9 – A Copacabana que não é nossa

Naquela altura da viagem, o fim do ano já estava próximo. Faltavam alguns poucos dias para o réveillon e nosso roteiro seguia conforme planejado. Em 28 de dezembro de 2009, chegamos na fronteira Peru-Bolívia por volta das 15h e quase perdemos o bote que nos levaria para o outro lado. Isso porque é uma confusão e ninguém te explica nada. Tive até que ajudar uns gringos americanos que nada entediam de espanhol – não que eu entenda, mas o portunhol funciona nesses casos. É que é assim: para ir até a Bolívia por vias terrestres, saindo do Peru, em determinado momento da viagem os passageiros seguem em um bote e o ônibus, surrado de tanto trabalhar, segue em outro! No final das contas, deu tudo certo e, quando vi, já atravessavamos para o lado boliviano, enquanto fazíamos amizade com um paquistanês e sua namorada holandesa. Gladys e Maruca – as duas argentinas que viajavam com a gente – seguiram em outro bote. Do lado de lá, mais imigração. Finalmente, estávamos em solo boliviano. Os contrastes com o vizinho Peru já eram evidentes desde horas antes da fronteira, mas, só agora, estando no país de Evo Morales, é que eles se tornavam mais claros pra mim.  E foram aumentando, quanto mais próximo chegavámos de Copacabana. No início da noite, chegamos à cidade.  Ela é estratégica no país, porque dá acesso ao Lago Titikaka e às Ilhas da Lua e do Sol. O plano não era ficar por lá, porém. Era ir para a Ilha do Sol e passar o dia e a noite seguinte, que nos restavam antes do réveillon. Eu ainda não sabia, mas eu estava para viver os dias mais lindos da minha vida. Continue lendo

Dia 2, 3 e 4 – Cuzco, a terra sagrada dos Incas

Avenida do Sol, rua que corta a cidade de Cusco (Peru): dia comum

Vi poucas imagens tão surpreendentes como aquelas formadas pelas curvas das montanhas e morros peruanos. As cidades do país parecem ter sido alocadas estrategicamente em espaços entre um morro e outro, formando um grande vale – o que descobri depois ser chamado, não por acaso, de Vale Sagrado. Parecem mesmo ter sido colocadas ali por interferência divina ou qualquer coisa do tipo – quem sabe pela Paccha Mama, a deusa inca, mãe da natureza? Totalmente possível. E é justamente em um desses vales que está situada Cusco, a mais emblemática cidade do Peru, a 3,4 mil metros de altitude. A cidade (Tahuantinsuyu, em quéchua) foi por muito tempo o mais importante centro administrativo e cultural do Império Inca. Hoje, ela é ponto de partida para quem quer mergulhar no mundo dos incas e conhecer de perto seus vestígios. Macchu Picchu é talvez o mais importante deles. Mas será só no famoso cartão postal que se resume Cusco? Foi em busca dessa resposta que desembarquei na manhã do dia 24 de dezembro de 2009 na cidade. Tinha apenas uma mochila nas costas, uma garrafa de água e um mapa em mãos. O restante era apenas muita vontade de conhecer a cidade que eu só conhecia pelos livros. Continue lendo

Dia 1 – Fazendo amigos em Santa Cruz de la Sierra

Já escrevi aqui e acho que nunca é demais lembrar: se você quer viajar pela América do Sul deixe todo e qualquer preconceito de lado. Quem se aventura em conhecer o desconhecido de perto precisa abrir o coração, precisa estar disposto a abraçar o mundo. Deixar de lado comparações e, no caso da América do Sul, as frescuras também. E foram justamente esses detalhes tão importantes que me levaram a decidir, há exato um ano, em setembro de 2009, viajar por 20 dias pela Bolívia e Peru. Não pensei muito, deixei qualquer julgamento sobre os dois países de lado (afinal, eu nunca tinha estado lá! Não deveria escutar quem também não esteve) e nem mesmo me preocupei em conquistar a companhia de um amigo. Comprei a passagem. Assim, simplesmente, sem delongas. E lá fui eu conhecer o desconhecido. Agora, um ano depois, posso afirmar que as melhores coisas acontecem sem planejamento. E compartilho aqui minhas boas lembranças, começando… do início! Continue lendo

A América que fala espanhol

Menina peruana me dá um beijo, numa espontânea demonstração de carinho, em praça de Cuzco (Peru)

Uma viagem pela América do Sul não é tão confortável como mostram aquelas imagens exuberantes de montanhas, lagos e cidades abandonadas que a gente vê em revistas especializadas. Pelo contrário, aventurar-se pelo continente sul americano está mais para um desafio (inclusive físico) a ser encarado do que uma viagem que deveria reservar apenas paisagens bonitas e aquele descanso merecido após um ano inteiro de trabalho no Brasil. Quem decide viajar por aqui, entretanto, precisa ter em mente que muitos desses países tiveram uma colonização intensa por parte dos espanhóis – alguns, inclusive, independentes há muito pouco tempo. Mas se a ideia é fugir dos roteiros convencionais e mergulhar na única e verdadeira cultura sul americana, o jeito é colocar a mochila nas costas e ganhar o mundo.  Continue lendo

Um pedido à Pacha Mama

Sei que já devia, há muito tempo, ter postado algo aqui no blog sobre minha trip para o Peru e Bolívia em dezembro de 2009 e janeiro deste ano. Mas, como alguns frequentadores do Dramas do Sucesso já sabem, fui roubado na cidade de Potosí, no país de Evo Morales. Com isso, foram perdidas as mais de 1 mil fotos e o manuscrito do diário de viagem de 20 dias que passei mochilando. Uma pena, é claro, mas sem dramas. A viagem foi perfeita e eu faria tudo de novo, mesmo que fosse roubado novamente (rs…). Mas o papo agora é sério. Ontem vi nos noticiários que a região está tomada pelas chuvas. Mais de 2 mil turistas, dos quais 100 brasileiros, segundo o Itamaraty, estão ilhados. Pensar que eu poderia estar lá, no meio desse sufoco todo, é inevitável, já que visitei o local há pouco mais de 20 dias.

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A aventura começou!

Chega a ser engraçada a cara de espanto que as pessoas fazem ao me ouvir dizendo que vou “mochilar na Bolívia e no Peru”. Quer dizer… não é exatamente de espanto, não é de surpresa, não é de admiração. É, outrossim, de interrogação: “mas, como assim, rapaz? Por que vai se aventurar por esses lugares? Por que não Nova Iorque? Paris? Madri? Caribe?”. É claro que esses lugares também serão descobertos um dia – alguns até já o foram, mas, mesmo com tantas coisas belas a serem exploradas, eles não têm o poder de, sozinhos, resumir a essência do mundo e, muito menos, a essência do verbo “viajar”. Se a Bolívia e o Peru, juntos, também têm esse poder, ainda não tenho a resposta. Mas a questão é: nenhum lugar é igual ao outro e ninguém é mais o mesmo quando se dispõe a uma viagem dessas. Abro, sem pesar, mão de monumentos robustos, de museus de milhões de dólares e de cartões postais famosos, com uma única e bela crença: “a liberdade e a simples beleza são boas demais pra serem desperdiçadas”!!!

Entrevista com a mochileira Alice Watson

O Caderno Vip, do Jornal da Comunidade, veículo que trabalhei como repórter em 2008, ilustra nesta semana em suas páginas uma entrevista com a jornalista Alice Watson. A brasiliense, recém formada em jornalismo, viajou em 2007 pela Bolívia e Peru e, após o término do curso de Comunicação na Universidade de Brasília (UnB), lançou o Guia do Mochileiro (Editora Senac, 2009), um presente para os, digamos, viciados em viajar com mochila nas costas. Para quem é ligado em viagens no maior estilo “out”, como eu, sabe que não há nada melhor do que planejar uma futura viagem sob informações de quem já passou pela experiência. No caso da Bolívia e Peru, então, nem se fala. Se não fosse pelas redes sociais, pouco saberia sobre essa verdadeira “arte” de viajar por dois países tão perto e, ao mesmo tempo, tão distante da gente. O lançamento do livro de Watson foi feito em Brasília, no mês passado. Mas, como eu também tenho uma agenda enrolada, não consegui comparecer. Uma pena. Minha amiga Basília Rodrigues, também jornalista, disse que comprou o livro para me presentear. Mas como a gente se encontra pouco, até agora não senti o cheiro do livro da Alice. E faltam apenas 14 dias para minha tão esperada aventura! De qualquer forma, o ping-pong do Comunidade VIP ficou muito bom. Eu adoraria ter feito essa matéria! Rs.. Enfim, reproduzo aqui a entrevista. A foto é divulgação e a matéria não está assinada.   Continue lendo

Em Santa Cruz, em qualquer lugar.

photo-9317-03-02-07-10-52-31Uma das coisas mais impressionantes em uma viagem é a capacidade que temos em nos adaptar – se surpreender não conta, porque isso é obrigatório em qualquer um que se atreva a tornar-se um viajante. Sim, é uma obrigação, seja nas Pirâmides do Egito ou na simplicidade de um prato de comida desfrutado em uma simples cidade interiorana. Pouco importa se o destino foi projetado nos mínimos detalhes, como Brasília, ou um espetáculo da natureza, como o Rio de Janeiro. Todo viajante sempre dará um jeito de explorar as nuancias desse ou daquele destino de uma forma bastante especial. Hoje mais cedo me veio à memória uma conversa que tive com meu tio, quando eu ainda era bem pequeno, mas que, só pelo fato de eu ter lembrado – minha memória é péssima – já me responde um monte de perguntas. Ele visitou Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, no passado e, naquela mesma conversa, descreveu a cidade pra mim. Nas palavras dele, que eu também me lembro (!), a principal cidade boliviana fedia e não tinha tratamento de esgoto. Além do mais, a violência urbana alcançava indices de dar inveja ao Rio de Janeiro. Aquilo me assustou.

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