Quando o amor chama

hunterpatchadamsA maturidade de seus 64 anos o faz levar, hoje, mensagens de amor ao redor do mundo. Mas nem sempre foi assim. Na adolescência, desiludido com a sociedade do pós-guerra, viu-se diante da inércia e abrigo em hospícios. Após duas tentativas de suicido sem sucesso, traçou três objetivos na vida: estudar medicina, nunca fazer dinheiro com a profissão e tornar-se um instrumento de intermédio entre o amor e seus pacientes. Mas com detalhes: em vez do jaleco branco, estetoscópio no pescoço e cara fechada, roupas coloridas, nariz de palhaço, piadas hilárias e irreverência, muita irreverência.

Você deve conhecer o protagonista desta história. O dono dela é o médico norte-americano Hunter Patch Adams, que esteve em Brasília, no dia 25 de maio, para falar sobre a importância da humanização de pessoas no ambiente de trabalho e, claro, para contar sua inspiradora história de vida.

Desde 1971, Adams atende milhares de pessoas doentes, em seu projeto que culminou com a criação do Gesundheit, um instituto médico construído na Vírginia do Leste, nos Estados Unidos, que oferece atendimento gratuito à população. Em 1998, inspirou o filme que leva seu próprio nome, estrelado pelo ator Robby Williams, vencedor de um Oscar no ano seguinte. Com a visibilidade de Hollywood, inspirou e atraiu milhares de seguidores em todas as partes do mundo, além dos chamados Clown Groups, isto é, médicos e voluntários que se vestem de palhaços e acrescentam ingredientes como o amor, o carinho e a atenção ao tratamento convencional. Esses grupos, inspirados por Patch Adams, começaram a ser espalhados a partir de 1984, em viagens à Rússia e continuam até hoje, marcando presença em mais de 60 países, em seis continentes.

Hunter Patch Adams é autor de dois livros. Gesundheit, o primeiro deles, deu origem ao filme americano. O segundo, e mais recente, House Calls: how we can heal the world a visit at time, consagra-se como um guia e verdadeiro livro de cabeceira a todos aqueles que se inspiram na filosofia do médico e queiram agir: sejam em visitas em hospitais, prisões, abrigos, no convívio familiar ou, até mesmo, nas relações trabalhistas. O livro traz 120 ilustrações assinadas pelo cartunista Jerry Van Amerongen. “Quero induzir as pessoas a buscarem o amor. Assim elas serão livres”, concluiu Adams.

Clique abaixo para saber a “simpatia” que é o doutorzão Patch Adams.

Pois é. Este foi o texto que escrevi para a Revista DF Industrial, na época da visita do doc ao Brasil. A matéria, é claro, caiu. Na revista, temos um espaço chamado “Insipiração”, que traz histórias de pessoas de sucesso, traduzidas em produtos como livros, cds, vídeos.

Quando soubemos que o Patch Adams estaria na cidade, não pensamos em um personagem melhor. Afinal de contas, um “cara” que inspirou milhões e milhões de pessoas no mundo inteiro e, quem sabe, ajudou a modificar a medicina, deveria ter, no seu currículo, outros grandes seres humanos que o inspirou a tornar-se o que ele, de fato, é hoje.

Mas não. Eu como repórter foca que sou, levei três perguntas prontas – e já traduzidas para o inglês – para ele. Tentei com o assessor de imprensa uma, duas, três vezes e nada de Hunter me conceder uma entrevista, ou, pelo menos, responder as minhas questões.

Após falar 15 minutos (sim, esse foi o tempo de um ingresso no valor de R$ 330 reais para ouvir do grandioso Patch Adams sobre “como humanizar pessoas”), o médico abriu para perguntas. Formou-se uma fila enorme: a maioria, fruto dessa sociedade metida que temos em Brasília, arriscava um inglês arranhado. O médio, simpático que é, era categórico na retórica: “É melhor você me perguntar em português, mesmo”. Isso rendia boas gargalhadas.

Entrei na fila, então, para fazer as duas perguntinhas:

  • Quem é o grande inspirador de Hunter Patch Adams?
  • Já que você veio a Brasília para falar para empresários sobre a humanização de pessoas nas empresas, gostaria que comentasse, brevemente, sobre os seus dois livros públicados. Qual deles é o mais indicado para, além da medicina, trazer ganhos a empresários?

Antipático que é – ou pelo menos demonstrou ser – o senhor de 64 anos, que, segundo ele mesmo, lê 200 livros por ano e cresceu ouvindo que “é especial demais para ficar de braços cruzados diante do mundo”, recusou-se a responder minhas duas perguntinhas.

Ele deve ter colocado a cabeça no travesseiro e dormido tranaquilo. Afinal de contas, ele já tem boa fama no mundo, conquistada pelo produto que ele mais critica: o filme O Amor é Contagioso (1999).

Decepção.

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2 comentários em “Quando o amor chama

  1. como você mesmo citou no seu texto, um dos objetivos dele erá se tornar médico, e não obter lucros da sua profissão, trabalhar simplismente por amor ao que faz; então você faz uma pergunta de “qual livro seria o mais indicado para ganhos aos empresário”
    que tipo de resposta você queria obter dele?

  2. Ah, é? E como você acha que ele ganha dinheiro? Tem noção de quanto custou uma palestra de 50 minutos com empresários? Eu tenho! Tudo é comércio. Não dá pra ser inocente.

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